Prefeito, ciclovia na Av. das Torres, URGENTE!!

Recentemente o artista Fernando Franciosi executou um trabalho na Av. das Torres intitulado ´Questionamento da 5ª série´. Na sempre difícil arte da sobrevivência, Franciosi se aproveitava de sua expertise – sociólogo de formação – e ganhava um troco dando aulas na rede pública. A escola onde trabalhava fica nos arredores da dita avenida. Uma de suas jovens alunas fez, certo dia, a grande pergunta: `Professor, por que não temos uma (BOA) ciclovia aqui?´. O trabalho do Fernando, inspirado pela indagação cândida e sincera da menina, pode ser visto aqui, transposto com a malícia e a provocação dos artistas que querem não apenas o aplauso, mas o espanto e a crítica – http://vimeo.com/21017334

A resposta à simples pergunta nós esperamos do Senhor Prefeito Luciano Ducci, dos companheiros da Câmara de Vereadores e dos competentes técnicos do IPPUC. À luz dos tristes acontecimentos dos últimos dias que ceifaram a vida de dois ciclistas aqui na capital, é necessário que tal resposta apareça e seja indicativo de uma verdadeira mudança de atitude por parte do governo municipal. A trágica morte do Sr. Osmar da Cunha, trabalhador e ciclista assassinado no último dia 18 na Avenida das Torres, não deve passar em branco.

O repórter Alexandre Nascimento relatou o seguinte: ´Questionado sobre os episódios recentes, o prefeito Luciano Ducci respondeu em menos de 140 caracteres: “a Associação dos Ciclistas do Alto Iguaçu está discutindo melhorias com IPPUC”.´

É necessário esclarecer alguns fatos. A recém fundada Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu) conseguiu do prefeito a promessa de uma ciclofaixa na Av. Cândido de Abreu, o início de uma campanha de educação sobre o uso da bicicleta como meio de transporte, a instalação de paraciclos e bicicletários na cidade e a criação de uma câmara temática para discutir a mobilidade por bicicleta. São ganhos importantes e significativos, mas, por si só, insignificantes se não forem colocados em prática e, o mais importante, sinalizarem o avanço real de mudanças na perspectiva do urbanismo atual. A mudança urbana que desejamos nasce da crítica do modelo atual.

São centenas de pequenas interferências que precisam acontecer de forma progressiva e consistente para que a cultura do automóvel, com toda sua rispidez e arrogância, seja educada, condicionada a modos mais saudáveis de convivência. Por que em tantos cruzamentos do centro da cidade o pedestre tem que sair correndo para garantir sua integridade física? Será que ninguém do IPPUC e Diretran jamais andou a pé na Mariano Torres com Visconde de Guarapuava? Por que a URBS ao invés de simplesmente coibir o uso da bicicleta nas canaletas não se empenha (e está é a palavra – empenho) em criar ciclofaixas nas vias lentas das estruturais? Está última colocação é, inclusive, uma sugestão do urbanista e ex-governador Jaime Lerner, com quem conversamos recentemente. Dar segurança aos ciclistas é essencial para que as mudanças de paradigma possam se constituir. Como dissemos acima é necessário um trabalho contínuo.

Se a prefeitura, pelo que mostra suas contas abertas, está de novo reduzindo o orçamento previsto para as bicicletas e simultaneamente apresentando um discurso mais ´pro-bike´, a contradição existe e deve ser esclarecida. O furor, o medo e a ânsia das eleições futuras não deve se travestir de palavreado ameno e tapinhas nas costas.

Se ficamos apenas na propaganda escorregadia dos auto-elogios, no discurso vazio da auto-promoção, perdemos de vista a cidade real. Esta cidade suja, barulhenta, congestionada, agressiva e hostil aos pedestres e ciclistas, que só quem se esconde o tempo todo atrás dos vidros escuros do carro não consegue ver.

Endossamos a sugestão da jovem estudante, do ousado artista e do colega ciclista e repórter de que seja criado um corredor ciclístico entre Curitiba e São José dos Pinhais, uma ciclovia decente, moderna e, acima de tudo, segura. Que tal obra carregue o nome deste que oxalá seja o último mártir desta insensata estrutura de vida e organização urbana. Queremos o Corredor Ciclístico Osmar da Cunha na Avenida das Torres!!
Se o prefeito afirma que a Ciclo Iguaçu tem competência para ´discutir melhorias com o IPPUC´ que fique registrado desde já nosso posicionamento. Que as obras da Copa de 2014, e sobretudo aquelas na Av. Comendador Franco, contemplem efetivamente a dignidade da bicicleta, e com ela a lembrança da fragilidade do corpo humano, coisa que parece estar ausente nos ´velozes e furiosos´ dias em que vivemos.

Jorge Brand
coordenador-geral da Ciclo Iguaçu
(Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu)
www.altoiguacu.ciclistas.org.br

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