Arquivo para curitiba

Raga Kafi – aula com Rasikananda Das no Govardhana Yogashala

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em Setembro 30, 2009 por goura

Entrevista para o Jornal Aquarius

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , em Julho 16, 2009 por goura

DSC02801

Quem são as pessoas que procuram o sânscrito hoje?

Há um interesse crescente, principalmente de praticantes de yoga e estudantes de ayurveda. O pensamento indiano começa a cativar cada vez mais o mundo ocidental. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu, certa vez, que o estudo do sânscrito e o contato com sua literatura produziriam um segundo renascimento na história do mundo europeu, uma libertação de dogmas e pensamentos viciados através do contato com um mundo intelectual distinto, mais antigo e profundo que o nosso. Acho que existem indícios de que isto está acontecendo. 

  - Para que serve o estudo da língua?

O sânscrito lhe dá acesso ao tesouro intelectual dos vedas, as antigas escrituras da Índia. É a língua da filosofia do yoga e possui uma sutileza e complexidade únicas. O sânscrito possui oito casos, declinações, e 49 fonemas em seu alfabeto. Sua escrita chama-se devanagari que significa ‘cidade dos deuses’, uma alusão a sua origem divina, de acordo com os textos védicos. A própria palavra sânscrito é a junção do prefixo san, bem, com a raiz verbal kr, fazer. Literalmente quer dizer ‘bem feito’, acabado, perfeito. Na literatura é possível destacar o Mahabharata, que contém a célebre Bhagavad-Gita, o Ramayana, os Puranas e os Upanishads como os textos mais significativos. O Mahabharata e o Ramayana são épicos de formação que descrevem as narrativas de grandes reis que viveram a muitos milhares de anos e cujas grandiosas atividades servem, até os dias de hoje, para inspirar os leitores.

  - Qual o grau de dificuldade?

Para dominar a língua é necessário um estudo consistente e dedicado. Tal disposição não é fácil de ser encontrada. No entanto, um estudo aliado a meditação e canto de mantras é uma maneira prática, lúdica e artística de se envolver com o sânscrito.

 As antigas escrituras dos hindus, os Vedas, formam um assombroso conjunto literário, de centenas de milhares de versos. Quase todos são a transcrição de um conhecimento anterior a eles próprios que existia nas tradições orais das diferentes escolas filosóficas. O sânscrito foi a língua na qual foram transcritos tais textos. As semelhanças entre o sânscrito, o grego, o latim, e suas derivações, são muito fortes e durante o século XVIII foram estudadas a fundo, levando os pesquisadores a desenvolverem a tese de que talvez houvesse uma língua mãe, matriz de todas estas línguas que eram faladas em extremos do planeta e que, mesmo assim, apresentavam vocábulos que continham uma ligação fonética e morfológica. Na Índia um filho dizia pitar, na Itália outro exclamava pater e no Peloponeso, pathr. Chamaram de indo-europeu esta possível língua primordial.

 

 Sir William Jones, um dos principais responsáveis por tal descoberta, proclamou-a da seguinte forma em meados de 1780:

 

‘A língua sânscrita, qualquer que seja a sua antiguidade, é de uma estrutura maravilhosa. Mais perfeita que a grega, mais rica que a latina, mais melodiosa que ambas. Essas três línguas tem um parentesco tão estreito entre si, tanto nas formas como nas raízes, que é impossível pensar numa coincidência fortuita. O filólogo que a examina a fundo é obrigado a reconhecer que devem derivar de uma fonte comum, que talvez se tenha perdido. Igual razão existe para fazer-nos pensar que as línguas góticas e celtas tem a mesma origem, e por fim até o persa poderia ser incluido na mesma família’

 Julho 009 / www.jornalaquarius.blogspot.com

Sobre o Real e o Irreal

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em Abril 12, 2009 por goura

(texto apresentado originalmente no Jornal da AYPAR, verão 2006)

 

india-1

Uma das características essenciais do mundo material é sua efemeridade, sua transitoriedade. Em sânscrito chamamos o mundo de jagat. Swami Dayananda apresenta uma interpretação interessante do termo. Diz ele que a palavra tem um sentido etimológico composto de duas raízes Ö ja – nascer, e ­Ö gam – ir. O universo, portanto, é tudo aquilo que nasce, que aparece, e depois segue, transmuta, se transfigura, vai embora. Em grego o termo physis traz um sentido semelhante. Na interpretação filosófica da palavra, feita por Martin Heidegger, physis é o desvelar daquilo que estava escondido, o aparecimento do oculto, o desabrochar da flor. No estado seminal do ser já encontramos latentes todos os demais estados de seus desenvolvimentos. Em ambas análises podemos sublinhar a idéia de movimento e de conseqüentes transformações que tem ai sua origem. Um outro exemplo clássico é a afirmação aparentemente óbvia, mas potencialmente perturbadora, de Heráclito. Diz ela: no mesmo rio, entramos e não entramos; somos e não somos. Ou: no mesmo rio não entramos duas vezes.

            Existe, no entanto, algo insistentemente inquietante, que reside em nossa mente e aparentemente se opõe a todas as mudanças do mundo. Na Gita Krishna enfatiza muitas vezes as diferentes percepções e argumentos que estabelecem a oposição existente entre o mundo material (e o corpo material) e este princípio que chamamos aqui de inquietante, mas que é nomeado por Krishna como atma. O atma é a essência vital, a consciência que experimenta o mundo dos objetos, ou, como diz Schopenhauer, é ´aquele que conhece tudo mas não é conhecido por ninguém´. Esta oposição aparece mais claramente no seguinte verso:

Asato ma sad gamaya

Tamaso ma jyotir gamaya

Mrtyor ma amrtam gamaya

O asat é a negação daquilo que é real, sat; a escuridão é a oposição à força luminosa, jyoti. E a morte é a imposição de um limite àquilo que é, em essência, ilimitado e imortal. (Observar a relação lingüística entre imortal e amrtam.) A morte é a conseqüência do nascimento. É o destino final de todas as transformações da matéria. Pode parecer, à primeira vista, que um tal tipo de raciocínio seja uma mera exaltação pessimista. Mas não. Reconhecer o mundo em que vivemos, nosso habitat, significa estar disposto a interpretar e construir o sentido das informações que chegam até nós. Para isto exige-se uma qualificação do indivíduo, um treinamento, uma disciplina de si, um cuidado de si ( ver Foucault na Hermenêutica do Sujeito). A filosofia e a preocupação efetiva sobre o ser sempre foram, em todas as culturas, a ocupação de poucos. Na maior parte dos homens a vida encontra uma proporção bastante desigual entre os cuidados com a subsistência e as indagações metafísicas, usando este termo com o máximo de cuidado possível. Geralmente a balança pende para o primeiro lado. Nos puranas, antigos textos da literatura védica, encontramos afirmações que dizem que um ser humano verdadeiro, um homem, um antropos, deve ser considerado enquanto tal, apenas na medida em que transcende o limitado universo do comer, dormir, reproduzir e se defender, ou seja, em que reconhece sua natureza ´animal´, mas observa também, lado à lado a esta natureza, a capacidade de escolha, a consciência da vontade e a percepção da continuidade temporal.

            Buscar este equilíbrio entre coisas tão distintas, entre energias aparentemente tão contraditórias é, entre outras coisas, o que Krishna chama de yoga. Samatvam yoga ucyate (2.42) – diz-se que o yoga é a equanimidade. E, se o que dizem todos os professores da Gita é verdadeiro, de que Krishna está a falar não apenas para Arjuna mas para toda a humanidade,  é esta a proposta que chega até nós. Somos incitados a buscar a auto-superação, a purificação do eu e a transcendência, mas sem esforços agressivos ou repressores. Ser disciplinado mas sem violência. Dedicar-se a prática, mas abrir mãos dos resultados. Para concluir este breve argumento uma bela lembrança heraclitiana:

´Do movimento dos distintos, a mais bela harmonia´

Sânscrito para crianças

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , em Abril 12, 2009 por goura

sanskrit

Em maio estaremos iniciando um estudo lúdico de sânscrito para crianças. A tentativa será uma forma de iniciar um gosto pelo estudo e pela sonoridade desta língua sagrada.

As aulas serão ministradas no Govardhana Yogashala (www.govardhana.com.br), nas tardes de quarta-feira (16hs/18hs). Terá pranayama, canto de mantras, instrumentos musicais, arte e caligrafia.

Crianças a partir de 10 anos que queiram participar por livre e espontânea vontade!

“Dakshina”: R$68/mês ou R$180 de uma só vez.

Início das aulas: 20 de maio

Duração deste primeiro módulo: 3 meses (20hs/aula)

Maiores informações: souldefiance108@yahoo.com.br / 9678-7091

Meditação com mantras e bhajans em Curitiba

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , em Abril 12, 2009 por goura

Quarta de noite no Govardhana (www.govardhana.com.br)

Sexta de noite no Gandiva (www.gandiva.com.br)

Domingo de tarde no templo Hare Krishna (www.harekrishnacuritiba.com)

MEDITATE OR DIE!!

Música Indiana em Curitiba

Postado em Uncategorized com as tags , , , , em Abril 3, 2009 por goura

helderweb3

Entrevista sobre o yoga no dia-a-dia

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , em Maio 7, 2008 por goura

1) Qual a relação que o yoga tem com nosso meio de transporte, nossa dieta, nosso consumo, nossa postura perante a vida e a realidade em geral? Acredita no yoga como um caminho de liberdade e na necessidade de observá-lo e estudá-lo sob essa perspectiva?

O yoga tem relação com a nossa vida como um todo. Os antigos yogis da Índia não faziam a separação que nós, homens modernos, costumamos fazer entre a prática de yoga e o restante de nossa vida. Yoga é uma perspectiva de vida, uma forma de enxergar a realidade que, naturalmente, muda a maneira que nos relacionamos com a natureza, os outros seres e nós mesmos. Esta perspectiva esta baseada na visão equânime, em sânscrito – sama darshinah. Precisamos urgentemente desenvolver tal visão. O mundo anseia por ela. A perspectiva da separação, que dispõe os homens uns contra os outros, e todos contra a natureza, só está trazendo problemas, cada vez maiores, que ameaçam a existência da vida humana neste pequeno planeta. Hoje em dia ainda vivemos num sistema em que as pessoas estão sendo julgadas pela capacidade de consumo que possuêm. Como manter as coisas sustentáveis se todo mundo quer ter um lap top, celular, carro, moto, i-pod etc ? O consumo se tornou meta de vida na sociedade moderna. E aqui não vale mais a distinção entre ocidente e oriente, pois na loucura e no fetiche do consumismo a globalização varre todas as distinções culturais locais.
Eu julgo extremamente necessário aplicarmos os ensinamentos do yoga nos problemas globais que enfrentamos no dia-a-dia. Precisamos parar de consumir tanto, de produzir tanto lixo, de matar tantos animais, de sujar as águas que nós mesmos nos banhamos e bebemos. Como não perceber a relação que existe entre as coisas todas? Graças a anestesia intelectual à qual estamos submetidos o mundo continua girando do mesmo jeito. Existem mecanismos de controle. A propaganda nos mantém ávidos pelo novo produto que chegará ao mercado. A mídia corporativa controla a informação que chega até nós. O yoga é um caminho de liberdade e todo aquele que anseie por trilhar este caminho deve estar disposto a questionar os seus próprios condicionamentos.

2) Qual é o papel do yogi neste contexto?

Despertar. Trabalhar entusiasticamente no seu sadhana, sua auto-disciplina. A partir do momento em que estamos comprometidos com a mudança pessoal, naturalmente irradiaremos novas energias em nosso meio-ambiente. Com a expansão de consciência que o yoga nos traz adquirimos maiores responsabilidades. Assim, se você se esforça para sua purificação, na limpeza do seu corpo e mente, por que não se dedicar igualmente na defesa da terra, da água e do ar, elementos dos quais dependem a vida de todos os seres?

3) Lembra de algum texto do yoga que fala sobre ecologia ou quais yamas e niyamas que posso relacionar com ecologia?

A Bhagavad Gita (5.18) afirma que o sábio vê com igualdade um brahmane, uma vaca, um elefante, um cachorro e um comedor de cachorros. Ou seja, mesmo que perceba a diversidade que existe no mundo e até mesmo uma certa hierarquia entre os seres, o yogi reconhece a unidade que permeia toda esta multiplicidade. Ele é capaz de enxergar o atman, a consciência, presente em tudo.

Tudo no yoga está de acordo com os questionamentos ecológicos que estamos aqui propondo. A não-violência é o mais essencial. Não agredir os elementos da natureza. Precisamos perceber que a matança de animais, a monocultura agrícola, o uso irrestrito de combustíveis ´sujos´ para os meios de transporte são todas formas gravíssimas de violência, que as pessoas em geral não relacionam com a crise global em que vivemos.


4) Como você tenta aplicar estes valores na sua vida cotidiana e passar para os seus alunos?

Eu sou um defensor da inserção da bicicleta como meio de transporte urbano. Pra mim este é o modal de transporte baseado em ahimsa. Não polui, é silenciosa, faz bem ao espírito e ao corpo, te coloca em contato com o mundo, com a cidade, com as pessoas. O carro nos separa. Cria divisões artificiais. Acredito também que devemos questionar nossa dieta, nossos hábitos alimentares. O vegetarianismo é um passo importante para um yogi. Falo destas questões nas aulas, práticas e teóricas, acho que aos poucos a idéia vai começando a fazer sentido na mente das pessoas.

5) Me fale sobre seu engajamento em Curitiba sobre o movimento urbano e o plantio urbano. Como funciona?

Bom, eu faço parte de um coletivo chamado INTERLUX. Entre outras coisas temos nos dedicado a temas que possuêm uma relação direta com o espaço urbano, espaço que deveria ser de convivência, diálogo e debate, mas que em nossas cidade é mero trânsito, espaço para transitar, não para ficar. Duas propostas estamos desenvolvendo. Uma delas é com as bicicletas. Estimular as pessoas a utilizarem-na no dia-a-dia, para ir ao trabalho, aos estudos, às festas etc. Uma vez por mês os ciclo-ativistas se reunêm na BICICLETADA, uma manifestação não-violenta em prol da mobilidade limpa e contra a agressivdade dos automóveis. Aqui no Brasil já temos as Bicicletadas acontecendo em São Paulo, Curitiba, Floripa, Joinville, Rio de Janeiro, Aracaju e outras cidades mais. É algo bem divertido. Durante algumas horas, pelo menos, mostramos que a rua pode ser muito melhor utilizada. Basta o desejo de cada um de nós.

A outra ação é a JARDINAGEM LIBERTÁRIA, uma proposta de reflorestamento urbano, ocupação de espaços ociosos da cidade, plantio de ervas, frutas, flores, legumes e verduras aonde quer que seja, onde houver espaço disponível. Dá pra plantar no apartamento. Se você tem um jardim na sua casa, melhor ainda. Dá pra plantar também na rua. Girassóis vão muito bem. Você pode, se quiser, adotar algumas áreas da cidade. Plantar ali algumas sementes, uma árvore e cuidar do desenvolvimento da flora local.
Temos um blog sobre o tema – www.jardinagemlibertaria.wordpress.com
A idéia é provocar, instigar uma nova perspectiva da cidade. Que as cidades ganhem vida, sejam vibrantes e saudáveis. Que possamos respirar um ar puro, que tenhamos silêncio no dia-a-dia – isto é importante para a saúde mental de todos nós.

6) Me fale sobre as iniciativas que deram certo em Curitiba para estimular o uso da bicicleta?

Ainda não vi nenhuma. O poder público, de uma forma geral, não acordou pra solução do problema e continua dando preferência aos investimentos pros veículos motorizados individuais. Faltam ciclofaixas, ciclovias, estacionamentos para os ciclistas nos cinemas, escritórios, teatros, escolas etc. Curitiba passa uma imagem de cidade ecológica mas a realidade está longe disso, e pedalar nesta ´capital verde´ é um desafio tanto quanto em qualquer outra. Quero ver quando o trânsito parar por completo! Estamos quase lá. Foram vendidos no Brasil, somente no mês de abril de 2008, mais de 250 mil veículos. Nossas cidades não comportam tal frota. Mas tudo bem, a economia está crescendo e o povo consumindo! É isto o que importa, afinal de contas, no jogo político atual.

7)Existem pessoas que não fazem uso da bicicleta por morarem muito longe do trabalho ou até mesmo por falta de preparo físico, neste caso, quais seriam as alternativas mais viáveis? Carona solidária? Outros?
O transporte público deveria ser praticamente gratuito, subsidiado pelas empresas de combustível e pelos motoristas de carros. Esté na hora de mudar o paradigma. Imaginem cidades em que todos possam pedalar com segurança, que o transporte público seja honesto, silencioso, não-poluente, agradável. Carona solidária é ótimo também. Tudo o que favoreça o diálogo e a conviência sadia entre as pessoas deve ser estimulado. Acredito que o yoga deve tomar a frente nestes movimentos. As propostas do yoga para nossas vidas são extremamente revolucionárias. De vanguarda. Não devemos ficar parados observando passivamente a destruição da vida, que avança a passos largos pelo mundo todo. É dever de todo ser humano, especialmente daqueles que estão no caminho do yoga, iniciar a mudança.

Aulas de Sânscrito e História e Arte da Índia

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , em Março 26, 2008 por goura
Caros amigos,
namas te.
Estou iniciando uma nova turma de estudos dentro de um projeto maior chamado VIDYALAYA, uma espécie de instituto de estudos sobre o yoga que está nascendo este ano aqui em Curitiba.
Iremos estudar o yoga através do sânscrito, da história e da riqueza cultural do sub-continente indiano. As minhas aulas começam no dia 27/03 e os encontros acontecerão toda quinta das 20hs às 22hs.
Shanti.
Goura Nataraj