Entrevista para o Jornal Aquarius

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Quem são as pessoas que procuram o sânscrito hoje?

Há um interesse crescente, principalmente de praticantes de yoga e estudantes de ayurveda. O pensamento indiano começa a cativar cada vez mais o mundo ocidental. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu, certa vez, que o estudo do sânscrito e o contato com sua literatura produziriam um segundo renascimento na história do mundo europeu, uma libertação de dogmas e pensamentos viciados através do contato com um mundo intelectual distinto, mais antigo e profundo que o nosso. Acho que existem indícios de que isto está acontecendo. 

  – Para que serve o estudo da língua?

O sânscrito lhe dá acesso ao tesouro intelectual dos vedas, as antigas escrituras da Índia. É a língua da filosofia do yoga e possui uma sutileza e complexidade únicas. O sânscrito possui oito casos, declinações, e 49 fonemas em seu alfabeto. Sua escrita chama-se devanagari que significa ‘cidade dos deuses’, uma alusão a sua origem divina, de acordo com os textos védicos. A própria palavra sânscrito é a junção do prefixo san, bem, com a raiz verbal kr, fazer. Literalmente quer dizer ‘bem feito’, acabado, perfeito. Na literatura é possível destacar o Mahabharata, que contém a célebre Bhagavad-Gita, o Ramayana, os Puranas e os Upanishads como os textos mais significativos. O Mahabharata e o Ramayana são épicos de formação que descrevem as narrativas de grandes reis que viveram a muitos milhares de anos e cujas grandiosas atividades servem, até os dias de hoje, para inspirar os leitores.

  – Qual o grau de dificuldade?

Para dominar a língua é necessário um estudo consistente e dedicado. Tal disposição não é fácil de ser encontrada. No entanto, um estudo aliado a meditação e canto de mantras é uma maneira prática, lúdica e artística de se envolver com o sânscrito.

 As antigas escrituras dos hindus, os Vedas, formam um assombroso conjunto literário, de centenas de milhares de versos. Quase todos são a transcrição de um conhecimento anterior a eles próprios que existia nas tradições orais das diferentes escolas filosóficas. O sânscrito foi a língua na qual foram transcritos tais textos. As semelhanças entre o sânscrito, o grego, o latim, e suas derivações, são muito fortes e durante o século XVIII foram estudadas a fundo, levando os pesquisadores a desenvolverem a tese de que talvez houvesse uma língua mãe, matriz de todas estas línguas que eram faladas em extremos do planeta e que, mesmo assim, apresentavam vocábulos que continham uma ligação fonética e morfológica. Na Índia um filho dizia pitar, na Itália outro exclamava pater e no Peloponeso, pathr. Chamaram de indo-europeu esta possível língua primordial.

 

 Sir William Jones, um dos principais responsáveis por tal descoberta, proclamou-a da seguinte forma em meados de 1780:

 

‘A língua sânscrita, qualquer que seja a sua antiguidade, é de uma estrutura maravilhosa. Mais perfeita que a grega, mais rica que a latina, mais melodiosa que ambas. Essas três línguas tem um parentesco tão estreito entre si, tanto nas formas como nas raízes, que é impossível pensar numa coincidência fortuita. O filólogo que a examina a fundo é obrigado a reconhecer que devem derivar de uma fonte comum, que talvez se tenha perdido. Igual razão existe para fazer-nos pensar que as línguas góticas e celtas tem a mesma origem, e por fim até o persa poderia ser incluido na mesma família’

 Julho 009 / www.jornalaquarius.blogspot.com

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Uma resposta to “Entrevista para o Jornal Aquarius”

  1. Ao ler este comentario sobre a língua sânscrita, sinto-me triste por saber
    que poucos lugares ensinam esta língua e portanto poucas pessoas têm acesso a ela.Me emociono com as meditações e respirações que faço desde que fui aluna de prof. Hermógenes em Natal,mas concordo quanto
    a falta de disposição das pessoas em se dedicarem ao estudo.Quando
    passei tres meses na India descobri o quanto teria sido rico pra min se soubesse sânscrito.Parabens pelo seu trbalho.

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